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O Movimento TopLoba sempre esteve envolvido em causas sociais e campanhas de conscientização. O tema sobre autismo já foi destaque em nosso extinto programa Talk Loba, onde entrevistei a Top Loba Vânia Bonfim, mãe de um rapaz autista.

Mas hoje, vamos falar de Adriana Ferreira, essa Guerreira de Fé que se tornou nossa Loba Cinderela

 

Durante a Jornada da Loba Cinderela no Instagram @toploba_oficial, Adriana foi presenteada com a capa e conteúdo da revista Top Loba, onde contará sua história de luta e superação na coluna Guerreira de Fé (abaixo).

Guerreira de Fé

Adriana Ferreira
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Meu nome é Adriana Ferreira, tenho 42 anos e um filho de 7 anos chamado Henry Gabriel, ele tem autismo.

 

Sou de Jaboatão dos Guararapes, Pernambuco.

 

Sou mãe atípica e desde que meu filho foi diagnosticado, entrei em um mundo totalmente desconhecido.

 

Foram muitas noites em claro, muitas noites de choro e muito medo do que viria no presente e no futuro.

 

Acho que nenhuma mãe está pronta para receber um diagnóstico deste. Nesse momento o chão se abre e você não o que fazer ou para onde ir. 

 

Foi percorrendo por caminhos desconhecidos que encontrei outras histórias parecidas com a minha. Uma realidade que só eu achava particular. Encontrei na luta do autismo, uma razão de viver.

 

Quase entrei em depressão por problemas pessoais e até hoje, tento viver um dia de cada vez, mas fazendo o melhor na vida de outras pessoas.

 

Diante dessa minha nova realidade, tive que buscar conhecimentos de leis e argumentos para poder sobreviver nesse sistema caótico e sem empatia ao próximo, que não faz nada ao nosso favor em relação aos direitos da pessoa com deficiência.

 

Virei uma mãe que veste a armadura todos os dias, não só para lutar por mais políticas públicas no meu município e neste país, mas para tentar ajudar outras mães e famílias a se levantarem, nessa corrente do bem.

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Trabalho com as leis a meu favor para ter mais embasamento e conseguir o que é de direito. Nessa luta, a Adriana mulher, ficou esquecida, se perdeu e não mais se reconheceu. A solidão de uma mãe atípica é inexplicável, pois ela se reconstrói todos os dias e encontra forças onde não há. E a sua maior força vem do filho. Só Deus pode explicar de onde vem tanta coragem… e lhe põe todos os dias. 

 

Minha razão de viver, é olhar todos os dias para meu filho com autismo e ver gratidão em seu olhar. É desejar entender meu filho, mesmo sabendo que ele não sabe expressar o que sente. É sentir o calor de um abraço traduzindo um “muito obrigado”. Esse é o verdadeiro amor incondicional, onde a gente se dia por inteiro, sem esperar nada em troca.

 

Viver com as particularidades do autismo não é fácil. É uma rotina repetitiva e cansativa. Nós mães, precisamos ter o nosso momento como mulher, pois queremos ser ouvidas, até porque, a nossa vida social já existia. Momentos como ir a restaurantes, praias, viajar ir ao cinema, dentre outras coisas, faziam parte da nossa vida antes. Então deixamos de viver tudo isso, para viver a vida do nosso filho. Nos anulamos e morremos socialmente. E nesta não existência de vida pessoal, acaba que nossa autoestima fica enfraquecida e perdemos a vaidade. Por falta de apoio, falta vontade para termos um momento de cuidado para nossa saúde mental e clínica. 

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Nós, mães atípicas, precisamos recuperar o sentido de existir na sociedade. E na maioria das vezes, somos abandonadas por nossos companheiros por não aguentarem o peso da responsabilidade de educar, em uma sociedade totalmente desprovida de respeito ao próximo e sem empatia.

 

Durante esta caminhada de muito ativismo, atuando em vários papéis que a sociedade me cobra, acabei desenvolvendo um problema de coluna que, por não cuidar por falta de tempo nessa rotina que tenho com meu filho, acabei deixando de olhar para minha saúde, pois não tive a opção de me colocar em primeiro lugar. Pois uma mãe, sempre vai priorizar seu filho. 

 

Meu problema da coluna se agravou e acabei desenvolvendo uma hérnia de disco séria, que acabou gerando também uma citalgia, meu quadril ficou desalinhado e ainda estou com ele assim. Mas aliviou um pouco, porque venho fazendo exercícios de pilates em casa, mesmo com dor, para fortalecer a musculatura. E agora, estou fazendo fisioterapia, pois preciso também, para um melhor resultado futuro. 

Não é nada fácil cuidar de seu filho que precisa de atenção e doação intensa diária. Seu transtorno do espectro autista (TEA), que não lhe dá muita independência, limita sua idade mental, que fica desproporcional a idade cronológica. Por isso não faço exercícios por estética e sim, por saúde. 

 

Mas para eu ter esse momento de fisioterapia, preciso da colaboração de pessoas de confiança para ficar com ele. Mesmo essas pessoas não tendo convívio diário com meu filho, diante desta pandemia, não posso levá-lo comigo, mas mesmo que pudesse, precisaria de alguém para me dar apoio, e nem sempre as pessoas estão disponíveis.

 

Meu filho também é do grupo de risco mas não utiliza máscara devido ao processamento sensorial, que é uma comorbidade do autismo. Para ele frequentar ambientes novos, é difícil pelos estímulos que ele recebe, isso mexe com seu comportamento. 

 

Ser mãe, mulher, ativista em um país que não temos muito investimento em políticas públicas relacionadas à saúde mental, tanto das pessoas que precisam de uma estrutura de terapias semanais, quanto do cuidador, é lutar todos os dias incansavelmente com muita fé.

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