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Bom, nasci em Franca/SP. Meus pais ficaram viúvos em ambas as partes e se casaram. Tiveram seis filhos, onde eu sou a mais velha. Até os meus cinco anos, foi bom com eles. Me lembro que mudamos de um bairro para outro e foi então que tudo começou a ficar ruim. Meu pai passou a ser abusivo com minha mãe. Eu e o meu irmão neste meio de brigas. Porém, chegou um tempo, em que minha mãe passou a me odiar. Para não morrer, eu fugi de casa, tinha apenas sete anos. Meu primo me buscou no meio do mato. Foi onde fui criada "mais ou menos" com a família do meu pai. Minha mãe denunciava à polícia. Antigamente falava Vara da Família. Em 1988 que mudou para Conselho Tutelar. Foi uma infância difícil. Até chegar na pré-adolescência. O melhor amigo do meu pai, me pediu para vir morar em Minas Gerais. Ela quem eu chamava de mãezinha, era irmã do melhor amigo do meu pai.

Eles são três amigos. Um deles ainda é vivo, tio João. Minha adolescência foi boa, que parei de correr para o mato, polícia me buscando nos lugares... Mas veio a parte triste, eles não me deixaram estudar e tinha que casar com homens bem de vida. Eu não aceitei essas condições. Minha mãe conversava com meus pretendentes, avisando que tínhamos dois anos para namorar, noivar e construir uma casa. E não podíamos sair para lugar nenhum. Eu não aceitei. Fiz amizade com com jovens da igreja católica. Eles tinham um grupo de dança e teatro. Eu entrei neste grupo, era a única maneira de sair da casa. Quis fazer teologia em um cursinho básico da igreja. Pensei que seria por pouco tempo, mas fiquei o dia inteiro. Mesmo com vinte anos, levei uma surra! Então na verdade não podia fazer nada.

Neste período fiquei sem ir à casa da minha mãe em São Paulo. Eu não aceitava ela criar meus irmãos. Com tudo isto, a mãezinha veio a falecer em janeiro de 1995, e o paizinho em novembro de 1996. Pense no homem que deu trabalho, foi ele. A filha vendeu tudo, e nos deixou morando em três cômodos com um pai doente. Antes era uma casa de vinte cômodos. Eles eram família renomada de BH. O paizinho era fotógrafo e radialista da Rádio Confidência Mineira, já aposentado. Na nossa casa frequentavam políticos que hoje muitos conhecem. No meio de tudo isso, a tia do meu esposo levou para me apresentar o rapaz da roça, de 28 anos e bonito. Gostei dele e queria sair de casa. Me casei em maio de 1998. Engravidei de Gêmeos Pedro Henrique e Paulo Henrique. Estava de cinco meses e tive um aborto espontâneo. Segui a vida.

Comecei a trabalhar e fazer cursos e mais cursos. Meu esposo sempre trabalhou para família dele. Eles tinham sítios, só o via mal durante a semana. Final de semana, saía para casa da família com homens de todos os jeitos. Eu sozinha em casa. Eu já tinha amizade com grupos de teatro. Resolvi voltar para o que mais amava. As Artes! Conheci um grupo de teatro Colibri BH com sede em Conselheiro Lafaiete. Fazia festival de dança e teatro e etc. Comecei participar em todos os lados. Mudamos para grande Belo Horizonte. A vida continuou a mesma coisa. Só neste meio tempo engravidei novamente de um casal de gêmeos... pense numa gravidez difícil. Perdi a menina e ficou o menino, onde coletaram o liquido para pesquisa, a fim de descobrir o motivo das perdas. Eu permiti, para que não acontecesse com outras mulheres.

Hoje meu filho está com 14 anos, é o Pedro Paulo. No meio das turbulências, uma colega me levou para igreja dela. Estava grávida de 5 meses, estou até hoje na mesma igreja. Meu esposo se converteu. Ainda precisa ser lapidado, casamento não é fácil. Mas estamos aí na luta de cada dia. Trabalhei e montei um grupo de dança, até meu filho fazer 7 anos, parei para correr atrás do que ele queria. Agora ele já sabe o que quer. Eu fiz vários cursos técnicos em fotografia e fiz alguns trabalhos. Até fui parar numa TV no YouTube, mas houveram desentendimentos e pararam o canal. Hoje estou enviando curriculum para as empresas, como é difícil se recolocar no mercado de trabalho depois dos 40 anos! Essa é uma pouco da minha história. Sempre fui uma Guerreira de Fé e, mesmo com as dificuldades da vida, acredito em dias melhores.