Coluna Divã da Autoestima

com Dra. Francilene Torraca

Revista Top Loba Novembro/2017

RACISMO

A visão real nas Sociedades

“Racismo é a discriminação social baseada no conceito de que existem diferentes raças humanas e que uma é superior às outras. Esta noção tem base em diferentes motivações, em especial as características físicas e outros traços do comportamento humano.” Wikipedia

Hoje vos convido a conhecer um dos efeitos do racismo na saúde mental em algumas sociedades. Um recente estudo realizado de adultos negros nos EUA nos trouxe verdades importantes das consequências do racismo sobre o bem-estar destas pessoas e coloca na mesma linha de gravidade dos efeitos gerados em indivíduos que passaram por grandes situações traumáticas.

O racismo traz consequências negativas afetando a saúde da população negra, já que a mesma vivencia cotidianamente situações explícitas de racismo. Isso se revela desde o preconceito por trás do atendimento fornecido aos sujeitos negros, seja na manifestação social do racismo através das desigualdades sociais. O racismo, assim como a saúde mental em linhas gerais, independente de etnias e raças, também é uma questão de saúde pública, que não possui atualmente recursos necessários para gerenciar de forma efetiva e positiva as demandas comuns de saúde como um todo, imagine ter um olhar cuidadoso para saúde mental.

Segundo um artigo publicado no Jornal Brasileiro de Psiquiatria e disponível no Scielo, “os sujeitos de cor negra permaneceram, em média, 71,8 dias internados em hospitais psiquiátricos, enquanto os de cor parda permaneceram 20,3 dias e os de cor branca, 20,1 dias”. No entanto, é importante perceber que essas pessoas são as que se encontram nos quadros mais agudos de desamparo, por não receberem visitas e, em muitos casos, não possuem familiares ou amigos que tenham condições de oferecer assistência após o período de internação.

A realidade da população de rua e das pessoas negras que em situação de vulnerabilidade acabam necessitando de atendimento psiquiátrico e internações não é a única face do racismo como problema de saúde mental. Esse quadrocausa prejuízos à autoestima e autonomia das pessoas negras e suas consequências são seríssimas em diversos âmbitos subjetivos e sociais. De uma forma ou de outra, esse conhecimento não é devidamente divulgado e, ao contrário de diversos outros temas relacionados à Psicologia, o conteúdo sobre o assunto é escasso até mesmo na internet.

Na sociedade norte-americana, concluíram que crianças negras apresentam índices de mortalidade mais altos que crianças brancas. No Brasil, constataram que crianças negras tinham maiores taxas de mortalidade quando comparadas às brancas e pardas.  Sobre isso, estudos apontam que os negros, em geral, possuem maior histórico de adoecimento grave e/ou crônico ao longo da vida, como também apresentam mais elevados riscos em doenças específicas como a hipertensão, diabetes, AIDS, tabagismo, alcoolismo, amputações, cegueira e doença renal-crônica.

Enfim, a dinâmica do racismo, tornou-se algo que excede ou sobrecarrega os indivíduos causando danos ao bem-estar psicológico. A discriminação racial torna-se fomentadora de uma série de limitações na vida dos indivíduos, causando entraves no crescimento e desenvolvimento como um todo, afetando senso de integridade individual e impactando negativamente o futuro da população negra. 

Francilene Torraca

Psicóloga Clínica   - CRP 05/25969