Coluna Divã da Autoestima

com Dra. Francilene Torraca

TRANSTORNO DEPRESSIVO PERSISTENTE

Queridos leitores,

É comum, em roda de conversas com amigos ou entre família, as pessoas comentarem sobre perfis difíceis de lidar. Pessoas constantemente mal humoradas, reclamonas, negativas. Pessoas que habitualmente não dão certo nas relações e nos ambientes profissionais.

Neste artigo, vamos conversar sobre a Distimia ou Transtorno Depressivo Persistente.  É um transtorno do humor que consiste nos mesmos problemas cognitivos e físicos presentes na depressão, com sintomas menos severos,  porém mais duradouros. É um subtipo crônico da depressão, caracterizado por mau humor contínuo, sintomas depressivos de intensidade moderada e duração mais longa.

No DSM-IV, Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, publicado em 1994, era definido como Distimia. Ela é menos aguda e severa do que o Transtorno depressivo maior, mais conhecida popularmente como depressão. No DSM-5, (2014) o termo "Distimia" foi substituído por Transtorno depressivo persistente (TDP).

A forma mais conhecida da depressão é a depressão maior, caracterizada por sentimentos negativos intensos, que interferem significativamente na vida do indivíduo.

A distimia também causa sentimentos de tristeza e desesperança. Isso ocasiona a perda de interesse nas atividades que antes gostava de fazer e dificuldade para finalizar tarefas do dia a dia, porém não há perda do funcionamento tal como na depressão maior. Ainda assim, trata-se de uma das principais causas de faltas no trabalho e local de estudos.

O portador deste transtorno é frequentemente visto como negativista e de difícil convivência, pois tende a ver o lado ruim das coisas. Acredita-se que as pessoas distímicas são amargas e mal humoradas, reclamam de tudo, são explosivas, pessimistas e difíceis de se conviver.

Muitas vezes, o próprio paciente pensa isso de si mesmo, sem nem mesmo desconfiar da possibilidade de uma doença . É comum pessoas com Transtorno Depressivo Persistente, por conviverem com esses sintomas desde a infância ou adolescência, olhar este quadro como traços da personalidade e se conformar em ser assim. Além disso, o indivíduo costuma ter baixa autoestima e um senso elevado de autocrítica, o que faz com que não tenha conhecimento real de si mesmo, incapacitando-o de perceber o problema.

Por fim,  não vamos definir alguém reclamão como portador do transtorno. A doença se manifesta de maneira diferente em cada um e sempre é importante você ser avaliado por um profissional de Psicologia ou Psiquiatria, que procure conhecer a história do paciente de forma criteriosa, fazendo as intervenções e encaminhamentos necessários. Um grande abraço!!

Francilene Torraca

Psicóloga Clínica   - CRP 05/25969