Coluna Divã da Autoestima

com Dra. Francilene Torraca - Psicóloga

ACOMPANHAMENTO NA ROTINA DOS FILHOS

O que se espera por parte das famílias em relação a educação dos seus filhos é que a mesma oriente seus filhos com afeto, diálogo e respeito as regras, valorizando a moral e a ética.

 

Para isso, pais constroem com seus filhos uma rotina desde bem pequenos para que eles cresçam dentro daquela dinâmica estabelecida pelos Pais. Atenção e acompanhamento na rotina dos filhos são fatores importantes no desenvolvimento dos mesmos, uma vez que o sentir este cuidado por parte das crianças favorece também a autoestima.

 

A família, que é vista como referência na educação da criança, encontra-se hoje em dia bastante ausente numa fase de suma importância na formação do sujeito e como conseqüência disto, o sujeito poderá desenvolver problemas de cognição e afetividade.

 

Há um tempo atrás, o autoritarismo fazia parte da educação das crianças como um ser que nada sabia, tendo suas falas ignoradas. Somente os adultos podiam orientar, corrigir, castigar e até bater nas crianças.

 

Hoje em dia, a maneira de educar mudou radicalmente e a criança passou a ser respeitada nas suas vontades. O problema é que “esse respeito” à vontade das crianças, faz com que elas exerçam sobre os pais um comportamento autoritário.

As crianças mandam e desmandam em suas casas e isto tem gerado vários conflitos no ambiente familiar, passando também pela escola.

 

A função dos pais, que é educar, está se tornando cada vez mais difícil.Dentro deste contexto de limites, os Pais tentam com muitas dificuldades retomar o controle que foi perdido, uma vez que encontram-se em estado de desorientação por não saberem que atitude tomar, quando dizer sim ou não devido ao medo de provocar traumas nos filhos.

 

Em contrapartida, eles desejam formá-los adeqüadamente, para que se tornem no futuro, cidadãos dignos e pessoas realizadas profissionalmente. Para a Escritora Tania Zagury é fundamental acreditar que dar limites aos filhos é iniciar o processo de compreensão e apreensão do outro.

 

Atualmente muita gente acredita que o limite provoca necessariamente um trauma psicológico e, em conseqüência, acaba abrindo mão desse elemento fundamental na educação. O respeito é um fator fundamental neste contexto.

 

A criança poderá respeitar seu semelhante se oportunizarem a ele momentos em que ela identifique quais são seus limites e nesse contexto ela vai entender que nem sempre se pode fazer tudo que se deseja. A partir destas situações vividas a criança vai naturalmente absorver e assimilar a idéia que poderá fazer muitas coisas, mas não tudo.

 

Essa diferença pode parecer sutil, mas é fundamental. A criança deve ser orientada para aprender a discernir as coisas. E é justamente esse medo de traumatizar que tem impedido que os pais imponham os limites necessários aos seus filhos, desde pequenos, fazendo com que compreendam que todas as pessoas, indistintamente, devem ser respeitadas.

 

Para Açami Tiba, os pais morrem de medo de errar. Preocupam-se muito temendo que um erro deles traumatize a criança pelo resto da vida. Muito envolvidos com o trabalho a as obrigações diárias, mãe e pai ás vezes perdem o fio da meada educativa. E se surpreendem com ações e reações inesperadas dos filhos, que podem começar com quase nada e chegar a proporções catastróficas.

 

Quando não temos uma relação de respeito, amor e limites encontramos crianças e jovens que cresçam sem orientação, sentindo-se sozinhos e desconectados da própria família, sem uma identificação com esses pais, pois lhe faltam um modelo forte, seguro e afetivo, que elas possam admirar, seguir, amar e respeitar.

Francilene Torraca