Ser flexível é ser forte.

Conta uma antiga fábula chinesa que um carvalho gabava-se de sua força e envergadura, desdenhando da aparente fragilidade do fino bambu plantado ao seu lado, que se curvava com qualquer vento. Certo dia veio uma intensa tempestade e o bambu curvou-se aos ventos da intempérie, flexível, balançava para um lado e outro, enquanto o carvalho, rígido, se confrontava com as forças da natureza. Passado o temporal, o bambu seguiu de pé, sustentado por suas profundas raízes e postura flexível ante o vendaval. O carvalho? Tombou,  com suas raízes expostas, arrancadas do solo ante sua impossibilidade em ceder à fúria dos ventos.

Esta fábula nos remete a pensar em como reagimos às adversidades, às mudanças, assim como nos demonstra que se curvar diante das dificuldades da vida, nem sempre significa perda ou fragilidade.

Muitos indivíduos são como um pomposo carvalho, reagem de forma rígida aos estímulos que se lhes apresentam, apegados às suas crenças internas, com uma certeza absoluta de que não podem ou mesmo não querem mudar. Tal rigidez tende a se cristalizar em pensamentos e condutas que tornam mais difíceis as adaptações, o convívio social e, principalmente, dificulta encarar e compreender as próprias fragilidades, medos e anseios.

Quanto mais resistimos em aceitar as intempéries, a procurar alternativas para a solução dos conflitos que naturalmente surgem ao longo da vida, mais nos colocamos como o carvalho. Insistindo na negação, deixamos de crescer emocionalmente e nossas raízes (suporte emocional) tornam-se frágeis, pouco profundas, as quais, com o forte vento da mudança, não nos darão boa sustentação.

O bambu nos ensina que nem tudo que aparenta fragilidade, corresponde à realidade. Por vezes nos consideramos frágeis e sensíveis, porém, quando nos achamos em meio a um turbilhão de problemas, nos surpreendemos com uma força que sequer sabíamos possuir e, melhor, saímos da tempestade mudados, crescidos e não tombados. 

A maturidade emocional é o nosso bambu, nossa natureza interna que se amolda, avalia as crenças e flexibiliza-se diante do que não pode mudar, sem se sentir diminuído e enfim se reergue com mais sapiência, em busca de um padrão de vida mais leve, menos carregado de certezas absolutas e de mágoas. É o que nos faz entender que na vida a mudança é necessária e que diante das adversidades podemos ceder para depois avançar. 

Ser flexível como o bambu ou rígido feito o carvalho é uma opção, sempre se poderá avaliar a possibilidade de mudar, pois não somos seres estanques, a adaptação vem como bom fruto da necessidade e do autoconhecimento. Enfrentar com humildade ou afrontar com arrogância, agir com inteligência ou reagir com insolência, cultivar teimosias ou verificar que mudar pode abrir novas fronteiras e possibilidades, cabe a nós mesmos, essa responsabilidade não está nas mãos de mais ninguém. 

Muitas vezes, é preciso recuar alguns passos para conseguir avançar numa grande jornada. Lembremo-nos que a rigidez até pode nos sustentar por um tempo, mas só a flexibilidade nos fará superar os obstáculos com menos dificuldades.

Forte realmente é quem tropeça, se curva, percebe no que pode mudar e melhorar, se ergue novamente prosseguindo e dançando com o vento.

Você é carvalho ou bambu? Vamos refletir sobre isso?