Detox digital 

Atualmente as pessoas passam mais tempo na internet do que se comunicando pessoalmente com outras pessoas. Já repararam nisso? 


Muito difícil receber ligações, pois as pessoas preferem a rapidez e facilidade do WhatsApp. 
Até acho muito interessante ter esse recurso, mas desde que não seja usado como defesa para evitar o contato pessoal. Se por um lado, as pessoas sentem mais coragem em dizer o que pensam por mensagem, por outro muitos ruídos de comunicação surgem dai, pois não há entonação, emoção e o enfrentamento nas relações. 


Acredito que a reflexão sobre os impactos das redes sociais na vida pessoal é importante para não se deixar levar pelo mundo virtual apenas e se isolar do mundo real.


Fica a questão que não quer calar: é possível lidar com as novas tecnologias e a abundância de redes sociais sem perder o contato real? 
Como saber qual o limite entre o “saudável” e o “patológico” no uso das redes sociais? 
Como fazer bom uso? 
Como não prejudicar a relação com a família e com os amigos? 


Acredito que o bom senso é fundamental nesse quesito, contudo pesquisas apontam que existe um novo tipo de sintoma do laço social: a dependência à internet, podendo ser vista como uma forma de compulsão, inclusive já descrita no manual de psiquiatra norte americano (o DSM V).

Um estudo sobre o uso de internet e redes sociais no mundo em 2017 revelou que o Brasil é o terceiro país que passa mais tempo usando a internet. Segundo a pesquisa realizada pela agência We Are Social e a plataforma Hootsuite, o brasileiro passa mais de nove horas por dia conectado por meio de qualquer dispositivo. São 130 milhões de usuários das redes sociais, o que representa 62% da população. Desses, 120 milhões acessam pelo celular, ou seja, 57% dos brasileiros.


O limite é tênue, mas um parâmetro interessante é perceber se está atrapalhando a funcionalidade da vida. Por exemplo, deixar de sair com amigos para ficar nas redes sociais, repetidas brigas na família pelo uso dos smartphones, deixar de viver uma boa conversa para ficar stalkeando a vida alheia, traições virtuais, deixar de fazer tarefas importantes para estar nas redes sociais, ficar dependente de curtidas e comentários, ter consequências físicas (privação de sono, dores na coluna, problemas de visão) e psicológicas (depressão, angústia, ansiedade) devido ao uso abusivo das tecnologias. 


Tão preocupante esse assunto, que alguns smartphones já disponibilizam o tempo de uso no dia e na semana. Existem aplicativos onde os pais podem programar os aparelhos eletrônicos para limite de uso diário dos filhos. Devemos estar atentos para que esse maravilhoso recurso não se torne uma perdição, pois a dificuldade em se desconectar pode gerar prejuízos à saúde.


A revolução tecnológica facilitou muito nossa vida, sem dúvida alguma, contudo tudo que é em excesso torna-se prejudicial. Aprender a fazer bom uso não é uma opção, mas uma necessidade, se quisermos preservar nossa saúde mental. 

O DETOX DIGITAL é o “desapego virtual” por alguns períodos, ou seja, quando deixamos o celular e/ou o computador de lado - às vezes até a TV também – e voltamos nossa atenção para a interação social, para uma leitura, exercício físico, brincadeiras, processo criativo, entre outras atividades sem tantos estímulos eletrônicos. 
É a possibilidade de se desconectar do virtual e viver um pouco mais o real. 
Por que gastamos tanto tempo da nossa vida digital com tarefas nada marcantes? 
Inúmeras queixas de falta de tempo para coisas que julgamos importantes, mas se somar tudo que foi gasto com coisas bobas conectadas, como discussões online ou xeretar a vida alheia, é fácil identificar o porquê tantas pessoas estão sem tempo. 

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Algumas dicas que podem ajudar nesse processo de se conectar consigo: 


➡️ Ignore o smartphone quando estiver com outras pessoas. Guarde-o na bolsa ou no bolso e se esforce para não ficar olhando de 5 em 5 minutos. Procure viver o momento, olhar nos olhos, ter uma boa conversa com a pessoa que estiver ao seu lado. 


➡️ Evite comer em frente ao computador ou levar o smartphone para a mesa de jantar.
Nutricionistas alertam que você come mais e pior quando não se concentra no alimento. Use esse tempo para conversar ou refletir. 


➡️Estabeleça horários e um limite de tempo para navegar.
Vale para redes sociais e sites de notícias. Por exemplo: 30 minutos durante a manhã, mais 30 minutos depois do almoço e mais 30 minutos à noite. 


Ao alcance de um toque, os smartphones são “perfeitos” para matar o tédio. Mas o tédio é fundamental para o ócio criativo, para repensar a vida e conectar as ideias.


Ninguém chega em casa e deixa o carro ligado na garagem a noite toda. Por que então fazemos isso com nossa mente? Nossa mente precisa de descanso. 


O mundo hoje nos empurra para a conexão total e ininterrupta, cabe a cada um aprender a fazer uso consciente da tecnologia. 
Se não acharmos dentro da gente o que realmente importa, todos os benefícios da tecnologia serão inúteis e até nocivos. 


Para haver crescimento é preciso ter equilibro. Mas ainda não inventaram um aplicativo para isso. Essa descoberta precisa ser de cada um. 

Josiane Cândido 
Psicóloga e Psicanalista 
CRP06/79404
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