Autoestima - Entender para melhor viver

Você já se deparou com o termo autoestima inúmeras vezes, não é verdade?


Mas sabe exatamente o seu significado? Sabe o quanto ela pode interferir em seus pensamentos, emoções e comportamentos?

Pois bem, muitos utilizam autoestima com um cunho específico de ser “uma forma de gostar de si mesmo” ou com o significado de “amor próprio”, outros até possuem dificuldade de entender como ela pode ser positiva ou negativa e se é possível aplicar os termos “alta autoestima” e “baixa autoestima”, soa até meio esquisito, não é?

Na Psicologia esse termo é muito utilizado e é, principalmente, conceituado como uma avaliação subjetiva de como o indivíduo se percebe. Contudo, não se resume a um sentimento, é mais que isso, é a soma destes com os pensamentos e comportamentos que são relacionados a si mesmo.

Por exemplo: a pessoa recebe uma crítica por se vestir de uma forma “inadequada” para a idade, se ela tem uma boa autoestima, possivelmente, não se inibirá ou deixará de se vestir da forma que acha correta, em razão do que os outros falam (estímulo/crítica --->; pensamento/”gosto do jeito que sou” + comportamento/”continuo a me vestir como sempre” + emoção/”satisfação com
seu posicionamento” = autoestima).

Também é importante dizer que a autoestima pode ser mutável ao longo da vida, se alterar de acordo com as vivências, transições para outras fases (infância, juventude, maturidade...), ou seja, é algo que vai se aprimorando e/ou se desestabilizando com o passar do tempo.

Em suma, são fatores como a própria opinião sobre si mesmo, o valor que a pessoa se dá, a importância com que recebe as opiniões alheias, que, em conjunto, definem, em determinado momento, como está sua autoestima.

Sim, ela pode ser ALTA ou BAIXA. Então, está correto empregar os termos “minha autoestima está baixa” ou “tenho alta autoestima” (melhor que seja este último, concorda?).

A formação da autoestima está relacionada à saúde mental ou bem-estar psicológico e a sua carência se relaciona com certos fenômenos mentais negativos e podem levar à depressão, ansiedade, fobia social, dentre outros.

Para o psicólogo Coopersmith (1967), que realizou um amplo estudo sobre o tema, as pessoas que solicitam ajuda psicológica expressam, com frequência, sentimentos de inadequação, pouco valor e ansiedade associadas à baixa autoestima. Suas pesquisas demonstram como fatores recorrentes na construção da autoestima baixa situações tais como: críticas, rejeições, humilhações, abandono, desvalorizações e perdas, decorrentes de interações sociais (familiares, escolares, profissionais, afetivas…). Muitas vezes essas vivências ocorrem na infância e acompanham o indivíduo por toda a vida.

Um exemplo de como Coopersmith (1989) encara tais influências é a seguinte declaração: "... crianças não nascem preocupadas em serem boas ou más, espertas ou estúpidas, amáveis ou não. Elas desenvolvem estas ideias. Elas formam autoimagens... baseadas fortemente na forma como são tratadas por pessoas significantes, os pais, professores e amigos" (p. 2).

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Assim, é importante saber que para uma melhor qualidade de vida, devemos preservar nossa autoestima desde sempre, mantendo-a de forma a permitir nosso bem-estar psicológico, físico e social. Evitando situações conflitantes ou pessoas/relacionamentos tóxicos que nos levem para baixo, com sentimentos de menos valia. Ademais, quem se responsabiliza pela formação de crianças e adolescentes deve ter em consideração a forma como contribui para a estabilidade psíquica deles, através de estímulos que fortaleçam suas autoestimas.

Diante disto, seguem algumas orientações para possibilitar uma boa autoestima:

a) Experimentar uma compreensão de seus pensamentos, sentimentos e valores pessoais, ou seja, buscar o autoconhecimento para entender como e por que você se sente de tal maneira, pois ele permite identificar o que está lhe acontecendo e a encarar o problema, em vez de varrê-lo para “baixo do tapete”. Se houver dificuldades para isto, uma boa solução é procurar a ajuda de um profissional de psicologia.

b) Identificar suas qualidades e não apenas os defeitos, não usar de falsa modéstia perante seus atributos, valorizar seus dons.

c) Empenhar-se em atividades que lhe tragam bem-estar, seja cuidar do corpo, o que melhora a autoimagem, trabalhar onde é valorizado, ter atividades de lazer (dançar, ler um bom livro).

d) Permitir-se ser cuidado, amado, conviver com pessoas com as quais tenha sintonia e diminuir a importância das opiniões alheias, passando a distinguir as críticas construtivas das que são nocivas.

Então, comece a perceber a pessoa digna de merecimentos e boas escolhas que está lendo este artigo agora. Ou seja, VOCÊ! Identifique o que pode ser aprimorado para fortalecer sua autoestima (se é que ela já não é boa) e se liberte do que lhe restringe a alegria de viver.

Uma autoestima adequada irá lhe permitir superar, da melhor forma, problemas que venham a surgir e irá validar quem você é e o que você faz.

Por fim, lembre-se que amar a si mesmo não é egoísmo, mas um ato válido para reverenciar o dom de viver.

Coopersmith, S. (1967). The antecedents of self-esteem.San Francisco: Freeman        
Coopersmith, S. (1989). Coopersmith Self-Esteem Inventory. Palo Alto, CA: Consulting Psychologists Press.