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São Vicente, 15 de abril de 2021.

 

Já faz um tempinho que aconteceu essa história que vou relatar, mas não tanto... pois a minha infância e adolescência eu prefiro deixar para uma outra ocasião, quem sabe em um livro que poderá chamar-se COISAS QUE EU PREFERIA NÃO ME LEMBRAR...#SQN.


Bem, vamos voltar no tempo até abril de 2004, nesta época eu trabalhava no banco, prefiro não mencionar o nome da instituição financeira, e eu trabalhava muito, muito além do horário, pois era chefe de setor e muitas e muitas atribuições me eram destinadas, saía tarde praticamente todos os dias, obviamente que eu estava muito estressada e cansada, mas no dia-a-dia nem me dava conta disto. Foi aí que na volta do trabalho no dia 02 de abril de 2004, pegando a estrada a noite, eu tive um acidente de carro, o qual por um milagre não morri, meu carro rodopiou na pista e parou na contra mão, e num susto percebi que conseguia abrir a porta e sair do carro, que ficou na pista parado lá até o resgate chegar e, por incrível que pareça, naquela estrada que costuma ter muito movimento, não passou nenhum caminhão e nem envolvi ninguém neste acidente, graças à Deus, só eu mesma. Na verdade eu sei que fui protegida por Nossa Senhora de Fátima, pois estava com a medalhinha dela no pescoço e com o tranco, bati meu tórax no volante, a medalha caiu na altura de meu coração. Depois no hospital, descobri que havia fraturado meu externo. Por conta deste acidente fiquei de licença e depois do tempo estipulado, para retornar ao trabalho eu não conseguia, pois me dava umas sensações estranhas, eu estava sem carro, pois o mesmo estava na oficina, e eu pegava o transporte público e antes de chegar ao local de trabalho, precisava descer do ônibus, cabe lembrar que o período que fiquei de licença, não saia de casa para nada, nem na esquina, até para ir ao médico precisava que alguém fosse comigo, depois de algum tempo fui diagnosticada com síndrome do pânico.
 

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Eu, uma aquariana, que sempre adorei sair, me divertir, shoppings, festas, viagens... eu não conseguia ficar em lugares onde tinha muita gente, shopping nem pensar... queria só ficar em casa, onde me sentia segura. É... eu estava doente e não conseguia nem ficar com meu marido numa pizzaria aguardando a pizza ficar pronta; e dá-lhe guaraná, uma das coisas que me acalmava, mas a ansiedade, só mesmo com remédios e ajuda psicológica. É claro que eu queria voltar a ser “normal”, fui procurar tratamentos, todos os possíveis: médicos, psicológicos e holísticos, por que não? Tudo que pudesse me dar algum bem-estar, coisa que estava bem difícil de conseguir.

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Neste período eu estava “casada”, como mencionei meu marido acima, no começo ele achava que era “frescura” de minha parte, até algumas amigas minhas também tinham esse pensamento, pois é ... só quem passa por isso sabe, muitas pessoas julgam nosso comportamento sem saber o que é sentir na pele.


Contudo, eu não me reconhecia daquele jeito, precisava encontrar a causa do problema e com muita força de vontade e também com o apoio dos meus pais e de outras amigas que fizeram toda diferença, me apoiaram, me ajudaram a superar isso tudo, aproveito para registrar aqui o meu profundo agradecimento.


Foi uma de minhas amigas que me acudiu no local do acidente, me levou para o hospital e ficou comigo todo tempo. Aqui não vou poder colocar cada ato de cada amiga, nem citar nomes; outra amiga me incentivou a ir buscar meu carro na oficina e sair dirigindo, para não ter trauma de voltar a dirigir, muito sabia, pois hoje continuo dirigindo e adoro pegar uma estrada. Esta mesma amiga também me incentivou a fazer um curso de pós-graduação em Gestão de Pessoas que no futuro só me ajudou, mesmo que no primeiro dia de aula tivesse tido uma crise, mas tudo valeu a pena, tudo!!!

 

Tanto que com o tratamento e tudo mais, consegui ser instrutora dando aulas em cursos dentro da empresa que trabalhava, ou seja, da crise do pânico à uma pessoa que falava e me expunha em público sem problemas, mas isso depois de uns cinco anos, o tratamento não foi rápido não.


Estava eu já bem melhor, trabalhando, me virando, passeando, digamos que a vida estava nos trilhos, estava feliz, tinha me casado oficialmente em 2012, depois de um teste drive de dez anos, mas... as coisas mudaram novamente em outubro de 2013. Foi aí que recebi uma mensagem do Mestre Kutumi, não sei se todos vão entender, eu gosto muito de ler e estudar sobre os Mestres Ascencionados da Fraternidade Branca; segundo consta, Mestre Kutumi é também São Francisco de Assis, o qual sou muito ligada e devota, e a mensagem, de 04 de outubro de 2013, em resumo, foi a seguinte: “você passará por períodos difíceis nos próximos anos, nada que você não conseguirá suportar, mas terá que ser forte, pois as coisas não serão fáceis mesmo, porém tudo contribuirá para a sua evolução, mesmo que lhe falte o chão”.

Confesso que senti algo ao ler a mensagem, e naquela mesma noite recebi uma ligação de minha mãe, avisando que meu pai não estava bem, eu e meu marido corremos até a casa de meus pais onde encontramos meu pai sem falar e sem conseguir se movimentar, aguardávamos o resgate médico e depois foi constatado que meu pai havia sofrido um AVC, este deixou meu pai sem fala e com um dos seus lados completamente paralisado, necessitando serviços específicos numa UTI.

 

Foram dias difíceis, pois meu pai sempre foi muito ativo, muito inteligente, uma pessoa que todos gostavam e não entendiam como de uma hora para outra a pessoa fica sem poder fazer e ser o que era, muito triste mesmo, foram apenas cinco dias e meu pai teve outro AVC fulminante o qual o levou para Deus.

 

E lá estava a vida me chacoalhando novamente, eu sendo filha única, minha mãe sem conseguir ficar só em sua casa, o que me exigiu providências rápidas e soluções possíveis, sem falar nos problemas a resolver com despesas hospitalares e inventário. Contudo, fui seguindo a vida, trabalhando, minha mãe perto de mim num apartamento que aluguei no mesmo prédio que eu morava com meu marido.


Depois de algum tempo, meu marido também começou a ter problemas no serviço, desenvolvendo um quadro de ansiedade, resolveu aposentar e infelizmente em meados de maio, seis meses após o falecimento de meu pai, meu marido começou a sentir dores, procuramos vários médicos e em abril de 2014 ele foi diagnosticado com câncer, ou seja, eu ainda estava num período de luto referente ao falecimento de meu pai, quando tive que guardar o luto e ir à luta, eu precisava ajudar e apoiar meu marido por conta de sua doença.


Nesta época, além de continuar no meu trabalho, eu também acompanhava meu marido ao hospital em São Paulo em consultas e internações necessárias para os tratamentos de radioterapia e quimioterapia, sempre contando com a ajuda de amigos para eventuais revezamentos.


Na verdade percebi que quando temos uma pessoa tão próxima, de convivência diária conosco e essa pessoa tem uma doença grave, a gente fica doente junto, claro que não exatamente, mas psicologicamente é uma doença que vira da família, e ir ao hospital ver outras tantas pessoas com a mesma enfermidade era muito triste, porém foi um aprendizado incrível, pois pude conhecer pessoas que mesmo tão debilitadas, ainda tinham um brilho no olhar, uma fé na cura com um sorriso nos lábios.


Foram quase dois anos de tratamento desde o diagnóstico de meu marido, contudo, em maio de 2016 ele faleceu, já havia tido metástase em seu organismo, a doença venceu. E mais uma vez as pessoas amigas me foram de grande valia, pessoas que hoje são minha família mesmo, porque eu as elegi assim.

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Em 2016 eu já estava aposentada pelo INSS e apenas aguardando algum tipo de incentivo por parte da instituição financeira que eu trabalhava, para me aposentar de vez. Eu fui trabalhar em outra cidade, novos ares, em um novo setor, aguardando a possibilidade de minha aposentadoria, e realmente em pouco tempo aconteceu o que eu esperava, finalmente me aposentei! Muitos foram os questionamentos dos colegas sobre a minha decisão, diziam que eu ainda tinha tanta “lenha pra queimar”, mas eu já havia me decidido, naquele momento eu já sabia que a minha vida seria melhor ao lado da minha mãe, pois eu já havia perdido os dois homens mais importantes de minha vida num curto espaço de tempo, era hora de dar atenção e viver de perto com “Mamis”, fazer coisas juntas.


Comecei então um novo capítulo de minha vida, me ocupei bastante com a reforma da casa, e isso me fez pensar também em uma “reforma” em mim mesma, passei a me cuidar mais, pois eu precisava estar bem comigo mesma para poder cuidar de outra pessoa também. E assim fiz e venho fazendo muitas coisas que eu havia deixado de lado no passado, coisas que me faziam bem , retomei minha vida e penso sempre em novas possibilidades, novos horizontes, ouvi algumas sugestões e fui fazer um curso de modelos para mulheres com mais de 40 anos, foi justamente com uma de minhas amigas de lá do curso, que soube do Movimento Top Loba. 

 

Tudo que está acontecendo em minha vida me faz mais forte, eu me redescobri, minha autoestima melhorou muito, estou fazendo tudo que eu não pude fazer antes e agora posso: viagens mais longas, coisas diferentes, já pude conhecer a Capadócia (Turquia), fiz o passeio de
balão, consegui cumprir a promessa de levar a minha mãe para conhecer Portugal, nossas origens, fomos inclusive no vilarejo onde meu avô nasceu, foi emocionante conhecer Canas do Senhorim.


Estou cuidando de mim por inteiro: corpo, mente e espírito, não que isso seja fácil, mas conto com o equilíbrio que a Yoga me ensinou, a prática faz parte de minha vida, e aprender sempre mais é meu lema, pois isso não ocupa espaço. Eu também montei meu ateliê, espaço onde faço minhas criações e pinturas. E de fato eu adoro a mulher que me tornei.

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Atualmente, por conta desta pandemia onde tantas pessoas estão passando por situações graves, tanto de saúde quanto financeira, me sinto privilegiada em ter um lar, com quintal onde posso ter plantas e meus gatos e minha cachorrinha Jollye Mary que tem quase 18 anos, uma vida inteira comigo, minha fiel companheira. E em meio a tantas notícias tristes eu ainda tenho muito que agradecer por ter saúde e estar bem, tanto por mim quanto por minha mãe.


O sentimento no momento é o desejo de dias melhores para todos, de cura desta doença e que em breve as coisas que estão “pausadas” possam ser realizadas, abraçar amigos, ir em festas , fazer novas viagens, novos planos, tudo está aguardando um momento no futuro, que tenho fé há de acontecer em breve.


É isso pessoas queridas, beijos e abraços virtuais (por enquanto) ...


Helena Espejo

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