O que você vai ler aqui, é uma história de muita emoção e superação. Inspire-se nessa força, relatada no testemunho de Kitti Anis!

Mas antes, eu, Angel Mancio, idealizadora do Movimento Top Loba, gostaria de contar qual foi minha impressão quando conheci essa mulher corajosa.

Kitti Anis... apelido carinhoso de Maria Cristina, uma mulher com aparência moderna, porém com estilo clássico e retrô que remete às pin-ups. Cabelos curtos, tingidos de vermelho e muitas tatuagens pelo corpo, ou seja, pura ATITUDE

Conversando com ela pela primeira vez, notei uma mulher com bastante conhecimento sobre vários assuntos e com muitas "receitas" para te ajudar com qualquer problema que você esteja passando, muito solícita! Depois, conhecendo mais profundamente, notei a vontade explícita que ela tem, de fazer tudo o que ama. Muito simpática e íntegra, sempre demonstrou muito dinamismo

 

Um certo dia, em uma conversa informal, ela deixou escapar algo sobre um tal "acidente". Quando perguntei "que acidente?" Ela respondeu, "Eu não te contei? Eu nasci de novo!" 

E lógico, com meu instinto altruísta (herdado de minha mãe), ao ouvir aquela emocionante e incrível história de força, garra e superação, pensei: precisamos contar essa história para o mundo, assim poderíamos inspirar muitas mulheres!

Naquele momento, vi os olhos de Kitti se encherem de lágrimas. Ela disse que sabia que um dia essa hora ia chegar... o momento em que iria dar o seu TESTEMUNHO DE SOBREVIVENTE! E com o coração cheio de gratidão (aliás um hábito rotineiro e nobre que ela tem), Kitti me agradeceu pela oportunidade.

Mas...alguns dias se passaram de muito choro e melancolia, até que ela conseguisse escrever tudo em um papel. Ao terminar, eu pedi que ela digitasse para me enviar por e-mail, e ela disse o seguinte:

"Foi bom escrever, dessa vez foi mais profundo, estou me sentindo mais firme, renovada, agora sei o que significa 'lavar a alma'"!

Então agora, sem mais delongas, fique com esse testemunho incrível!

Clique na foto e conheça o Instagram da Kitti

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Começo este depoimento agradecendo a Deus, pela minha vida, pela minha vitória.

 

O dia 11.07.16, foi o dia em que fui abençoada por Deus ao me livrar da fatalidade. Estava eu, voltando de meu compromisso, com minha bike, quando parei para esperar caminhões passarem. Mesmo sendo uma bike chopper, com o guidão alto, mais o retrovisor, acredito que o caminhão, por ser muito, muito grande, ao fazer a curva, acabou fechando demais... e foi assim que o encontro aconteceu.

 

Prefiro dizer assim, a Hello Kitty (apelido da bike) foi parar lá na frente, e eu fui arrastada. Parece que foi por uma eternidade, minha preocupação era de me manter esticada, para a roda não passar por cima de mim. Em um determinado tempo, não aguentando mais, comecei a me despedir da vida, da família, pedindo a Deus que tomasse conta de todos, e me levasse para onde quer que fosse, só queria sair de lá.

 

Perdi os sentidos, para minha surpresa e gratidão, acordei ouvindo muitas vozes dizendo: ela tá viva! O caminhoneiro me acudiu imediatamente e assim, começou minha "odisséia"...

 

Comecei a perguntar sobre os meus pertences, óculos, boné, mochila, agasalho e principalmente da Hello Kitty, quando me disseram que não tinha nenhuma bike, fiquei quase louca, aí acharam, e me prometeram tomar conta dela, deixei o número de meu celular, e foi assim que me mantive focada, não permitindo que o medo ou o vitimismo tomassem conta de mim.

 

Chegou o Samu. No PS, começa a jornada: raspagem das queimaduras para retirada do cimento que grudou em meu lado esquerdo, raio x, aquele monte de gente em volta de mim e eu só tinha uma preocupação: me manter lúcida, firme e forte. Fui muito bem atendida, mesmo em condições precárias, graças a Deus, me deitaram em uma maca, mesmo que fosse enferrujada, com tampo de madeira, sem lençol, sem nada... achei ótimo!

 

Comecei a tremer sentindo muito frio, estava insuportável! O policial que estava acompanhando, foi um anjo enviado de Deus, me arranjou um lençol pra me cobrir, me colocou as meias, o tênis, ou o que restou dele, mas enfim, foi o que me esquentou. Foi somente aí que consegui dormir um pouco. Quando acordei, vi muita coisa ruim. Estava no corredor da entrada do PS, pensei, já que Deus me manteve viva, também iria me dar forças para sair de lá.

 

Quando consegui me sentar, chamei o médico, com certeza ele não concordou, mas eu nem liguei, ao conseguir ficar de pé, ligue para casa e pedi para virem me buscar, dizendo que só tinha me machucado um pouquinho, e estava indo embora. Só assim o médico me deu o termo de responsabilidade, assinei e esperei lá fora.

 

Imagine o susto que causei quando chegaram para me buscar! Em casa, meu filho quando me viu, ficou em estado de choque, e eu só querendo minha cama. Ao passar em frente ao espelho, resolvi olhar, e me senti a própria múmia! Tirei uma foto, porque queria registrar o dia em que fui abençoada e protegida por Deus. Hoje em dia, quando me sinto derrotada de alguma forma, olho para a foto e esqueço tudo! Prossigo firme e forte.

 

Foram seis meses cuidando dos curativos, com dificuldade pra andar e me mexer, e mais dois meses me fortalecendo para retornar às atividades físicas.

Faço questão de citar duas pessoas que tiveram uma importante participação em minha recuperação: meu sensei e amigo Lira Jr., que entrou em contato, ao perceber que estava afastada por, bastante tempo, de minhas atividades físicas diárias. Tentei não falar do acidente, mas não deu certo. Então, enviei a foto de múmia (rs). Houve um longo silêncio...

Foi quando ele começou a falar de Aikido, de quando meu filho fazia aula, e eu só assitia, depois comecei a fazer, falava de experiências positivas, resultados transformadores... hoje se sei lidar com meu stress pós traumático, devo ao Aikido e a dedicação do sensei: Dômo arigatô gozai mashita!!!

 

E agradeço também a minha nutricionista esportista Thais Ennes, que com sua dedicação e competência, me manteve na linha e focada. Eliminei 32kg, problemas hormonais de todas as especies tipos e jeitos, parei de fumar, de beber. Pacientemente foi ajustando minha dieta, assim voltei ao meu peso, ao numero de  manequim que sempre usei, mantendo minha qualidade de vida, e saudável. Me ensinou que meu corpo é meu templo.

Conheci a Angel, fundadora do MTL (Movimento Top Loba), em um evento da Erika Nogueira (professora de maquiagem) e hoje sou uma Top Loba com muito orgulho, e tenho a honra de poder dividir minha história. 

 

E vamos em frente que atrás vem gente! Assim dizia minha querida mãe, que me ensinou, com seu jeito bem particular, a ser uma mulher de honra, forte e guerreira!

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