Coluna Loba Saudável

com Mahyra Mota - Fisioterapeuta e Acupunturista

Revista Top Loba setembro/2018

Cuidado com a Depressão  

A Depressão é um distúrbio afetivo, uma doença, que revela a presença de baixa autoestima, tristeza, pessimismo, desânimo e falta de  esperança.


Explicando quimicamente, a Depressão gera alterações químicas neurológicas, e normalmente há uma diminuição na produção de neurotransmissores indutores de boas sensações. Alterando a secreção de serotonina, noradrenalina ou dopamina, causando perda de atenção, ansiedade, obsessões, compulsões, redução da motivação, do prazer e do interesse pela vida. Além de alterar a produção de outros
neurotransmissores que produzem mal estar, como o Cortisol, que é o hormônio do estresse, gerando alterações maiores a nível intracelular. Ela atinge cada célula do nosso corpo literalmente.


Ao contrário do que se imagina, fatores psíquicos ou sociais não são a causa de uma síndrome depressiva, são sim uma consequência da doença. Existe muitas vezes uma predisposição genética para uma personalidade depressiva. Contudo, fatores externos em excesso como o estresse podem desencadear uma síndrome depressiva.

É imprescindível o acompanhamento médico e medicamentoso. Além do tratamento com terapias complementares como, Acupuntura, Shiatsu, Aromaterapia, Massagem e até exercícios físicos direcionados, têm se mostrado muito positivos.


A prevalência da depressão está estimada em 19%, ou seja, praticamente 1 a cada 5 pessoas no mundo sofrem ou sofrerão de depressão em algum momento da vida. O tratamento normalmente é medicamentoso, mas muitas vezes a depressão não é diagnosticada adequadamente, piorando o quadro ao invés de melhorar. O recurso de
terapias complementares é cada vez mais procurado por quem sofre e mais recomendado por quem cuida.


Depressão e Ansiedade Severa são doenças que muitas vezes tem seus sintomas confundidos. Embora sejam distúrbios emocionais aparentemente semelhantes, na verdade são muito diferentes. Por essa razão não se pode falar de Depressão sem que se fale em Ansiedade. Sentir ansiedade é normal em várias situações, como na véspera
de uma prova, ou quando aguardamos uma notícia importante, ou quando vamos visitar alguém que não vemos a muito tempo, é normal sentir ansiedade, muitas pessoas lidam melhor com a expectativa do que outras. A Ansiedade torna-se um problema quando o nervosismo inicial associado à expectativa passa a ser uma rotina comum e repetida ao invés de uma situação pontual.


Não cuidar deste problema logo de inicio, seja por desconhecimento, ou por não se dar a devida importância ao problema, faz com que a ansiedade assuma proporções indevidas e o nervosismo passa a controlar a vida da pessoa afetada. Sentimentos associados como, o medo, podem criar etapas de pânico em situações que devem ser encaradas naturalmente, por serem situações que racionalmente não apresentam perigo. Mas para quem tem Ansiedade Severa, situações simples como atravessar a rua, andar de ônibus, segurar um animal no colo ou ter que fazer um exame, podem ser situações desencadeadoras de um pânico incontrolável. O sentimento de ameaça constante é muito comum no distúrbio de ansiedade.

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Quando alguém não consegue manter a capacidade de comandar as suas próprias atitudes, isso gera um estado de desânimo tão grande que a pessoa perde a vontade de trabalhar, perde a capacidade de manter relacionamentos, perde a vontade de sair de casa, de conviver, de se cuidar, e este tipo de comportamento também pode acontecer com uma pessoa que sofre de Depressão.


Então como vamos saber se é Ansiedade ou Depressão? Embora o ápice das duas patologias apresentarem comportamentos idênticos de desânimo e isolamento, o percurso que cada pacientes faz é diferente. Ambas tem muita labilidade humoral, ou seja, variações de humor abruptas e acentuadas, mas numa pessoa com Depressão essas alterações vêm com tristeza, com alguns excessos ao expressar emoções sobre qualquer coisa ou sobre outros, sempre com emoções intensas que consomem a
energia emocional e levam a um grande desgaste físico e baixa autoestima, perda da vontade de realizar suas atividades diárias ou de manter relacionamentos, com desinteresse em tudo que antes lhe dava prazer. É muito comum que alguém possa sofrer de uma síndrome depressiva e de ansiedade ao mesmo tempo. Estudos comprovam que 85% das pessoas diagnosticadas com Depressão, também sofrem com
distúrbios de ansiedade em algum grau. Sabendo-se que de 100% dos Deprimidos que tentaram o suicídio, 92% são afetados pela ansiedade severa também.


Logo, é fácil ligar os pontos e verificar que alguém excessivamente ansioso, que sofra de algum tipo de síndrome do pânico, acabe sofrendo de Depressão. Como também é fácil entender que alguém com Depressão que sofra diante da expectativa de realizar atividade rotineiras, sofra de Ansiedade. Quando a pessoa sofre com ambos os distúrbios as características se tornam mais intensas, e o desgaste é muito maior,
tornando a doença crônica e mais resistente ao tratamento, podendo se tornar uma doença mortal, causando o suicídio.


É normal que alguém venha sofrer um processo de tristeza por um período de crise como o luto ou uma perda, isso não é depressão, é um processo psicológico emocional natural. Mas se você está passando por isso, é importante ter tempo pra ouvir e conversar com alguém confiável sobre o assunto, ou buscar ajuda profissional com um psicólogo ou médico para não vir a entrar no círculo vicioso da Depressão. É crucial que o profissional que faça esse atendimento tenha tempo para avaliar
adequadamente sua história para não errar o diagnóstico e simplesmente prescrever medicamentos pra Depressão, que podem mascarar os verdadeiros sintomas, gerar o desânimo e afundar cada vez mais as possibilidades de uma melhora.

Existem 5 diferenças simples entre Depressão e Ansiedade que podem ajudar na hora de identificar o problema, são elas:


1. Na Ansiedade há o medo da morte; enquanto que na Depressão, em muitos casos a pessoa quer morrer.
2. O Ansioso patológico vive como se estivesse num prédio que está sendo tomado pelo fogo, sempre achando que está em perigo e preocupado; já o Depressivo está com os níveis de alerta muito baixos, com falta de vitalidade, sem preocupações, e sem vontade de absolutamente nada.
3. O Ansioso patológico tem uma preocupação excessiva com o futuro, ele tem medo com o que possa acontecer ou não, daqui a 1 mês, a 3 anos ou 1 década, ele sofre pelo futuro que está por vir, por algo que ainda não aconteceu. Já o Depressivo se apega ao passado, lembra-se sempre de alguma situação com rancor; ou algo que aconteceu que acha que foi sua culpa e não consegue se perdoar; faz questão de relembrar coisas que o machuca ou fatos negativos que já aconteceram e alimenta esses sentimentos.
4. Os sinais físicos são típicos em alguém com Depressão, como rosto abatido, corpo dolorido, olhar desanimado, falta de reação e expressão. Já no Ansioso, tirando os momentos após as crises severas, os sinais físicos são muito difíceis de observar.
5. Mudanças de hábitos rotineiros são muito comuns ao Depressivo, ele perde peso por não sentir vontade de comer, mas tem vontade de dormir o tempo inteiro, perde a vontade de fazer coisas do dia-a-dia, abandona as atividades que lhe dava prazer e depois chega a abandonar o próprio trabalho e emprego. 
Já na Ansiedade, isso não costuma ocorrer, não há mudança desses hábitos rotineiros de forma acentuada ou significativa.


Caso haja uma síndrome mista de Depressão e Ansiedade, fica bem mais difícil o tratamento, por se tornar difícil um diagnóstico correto.


Apesar da imprescindível importância do médico e das medicações no tratamento da Depressão, nós podemos ajudar de várias formas, tanto no tratamento como na prevenção através do ALFABETO EMOCIONAL DE COMPORTAMENTOS, que é um conjunto de comportamentos que vão induzir de forma positiva ou negativa na produção de neurotransmissores e nas emoções.


COMPORTAMENTOS “S” vão gerar ATITUDES “A”: São os comportamentos que devem ser estimulados sempre e, que vão gerar atitudes de bem estar. São eles:

  • SERENIDADE

  • SILÊNCIO

  • SABEDORIA

  • SABOR

  • SEXO

  • SONO

  • SORRISO

Que vão gerar ATITUDES “A”:

 

  • Ânimo

  • Amor

  • Apreço

  • Amizade

  • Aproximação.

COMPORTAMENTOS “R” que vão gerar ATITUDES “D”: São comportamentos responsáveis por aumentar os níveis de estresse e mal estar. Esses comportamentos devem ser observados sempre, analisados e desestimulados caso estejam em excesso.


São eles:

 

  • RESSENTIMENTO

  • RAIVA

  • RANCOR

  • REPROVAÇÃO

  • REPRESSÃO

  • RESISTÊNCIAS

Que vão gerar ATITUDES “D”, que são:

 

  • DEPRESSÃO

  • DESÂNIMO

  • DESESPERO

  • DESOLAÇÃO

Agora vamos ligar os pontos do Alfabeto. Os comportamentos “S”, como a serenidade, o silêncio, o sexo, o sono, o sorriso, o saborear das coisas boas da vida, vão gerar atitudes “A”, ânimo, amor, apreço, amizade e aproximação. Já os comportamentos “S” vão gerar as atitudes “D”. Observamos pelo alfabeto emocional que cada um é responsável pelo seu próprio destino emocional, e tem sua saúde emocional nas mãos. A escolha certa pelo tipo de comportamento irá nos trazer boas ou más
consequências.


Para finalizar, alguns estudiosos reuniram um conjunto de rotinas, que juntas ou isoladamente conseguem um resultado mais positivo. Esses hábitos podem ser de alimentação, de descanso ou sono, exercícios, de atividades de lazer e outros. Entre eles temos, a ingestão de suplementos de cálcio e magnésio em doses pré-determinadas pelo médico para aumentar a absorção de cálcio, também suplementos ricos em ômega 3, como o óleo de peixe, vão ajudar a regular as alterações de humor.
A vitamina D e as vitaminas do complexo B também diminuem os efeitos negativos do estresse. Evitar os excessos na ingestão de alimentos estimulantes ou tóxicos como o açúcar cristalizado, cafeína, álcool, alimentos processados ou industrializados, que podem ser catalisadores de emoções negativas. Alimentos que causam sensibilidade
alimentar, alergias ou intolerâncias também devem ser evitados como, amendoim, lactose e trigo, todos esses alimentos são inflamatórios e vão adicionar na piora dos sintomas.


Devemos optar pelo consumo de alimentos frescos, frutas e legumes e de grãos integrais. Aumentar o consumo de alimentos funcionais, que além do valor nutritivo tenha associado uma função, como exemplo o maracujá que é uma fruta útil no controle da ansiedade, a alface que é indicada na redução do estresse, entre outras tão divulgadas hoje nas mídias. O excesso de informações e estímulos tecnológicos também podem interferir de forma negativa no tratamento, sendo importante que
haja uma redução desses estímulos, reduzir TV, computador, internet, celular e qualquer mídia associada.


A prática de atividades físicas que regulem a respiração e ajudem no alongamento do corpo e na regulação dos ritmos vitais, como a Yoga, a meditação e a natação que trás benefícios enormes ao sistema cardiorrespiratório.

Estabelecer uma aproximação com familiares mais próximos e manter uma rede de bons amigos que consigam se reunir regularmente é muito importante no processo de cura, bem como ter uma religião. A redescoberta e a identificação de dois sentimentos muito fortes, que são o perdão e a gratidão, também são essenciais ao tratamento.
Pessoas com Depressão ou Ansiedade tem uma maior dificuldade em perdoar e em agradecer, que são processos que devem ser reaprendidos e compreendidos novamente, e diariamente alimentados para serem mantidos. É extremamente importante que a própria família consiga entender que esse processo não é “frescura” ou “mimimi”, mas sim que são lutas diárias da qual uma pessoa com Depressão ou Ansiedade Severa sofre e precisa de fato do apoio total para ter uma melhora
significativa. Depressão, ansiedade e ataques de pânico não são sinais de fraqueza. Eles são sinais de ter tentado manter-se forte de forma demasiada longa.

Mahyra Mota – TopLoba, Fisioterapeuta e Acupunturista.