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Epidemia e máscaras - isso não é novidade!

O aumento do número de casos do coronavírus no Brasil tornou obrigatório o uso de máscaras. O governo brasileiro recomenda que até pessoas sem sintomas usem máscaras ao saírem de suas casas para ir ao mercado ou à farmácia. A obrigatoriedade veio após estudos chineses mostrarem que um grande número de infecções acontece a partir de pessoas assintomáticas, ou seja, que têm o vírus, mas não apresentam sintomas. Quando essas pessoas falam, gotículas contaminadas podem atingir quem está por perto; portanto, a máscara funciona como uma barreira física, protegendo você e outras pessoas ao seu redor e ajudando a impedir que o número de casos aumente ainda mais!


Porém, tudo isso não é novidade! A primeira vez que máscaras foram usadas para evitar uma doença ocorreu na Idade Média, com a temível Peste Negra ou Peste Bubônica. Essa peste chegou à Europa vinda da Ásia em 1347 e consumiu um terço da população europeia. As precárias condições de higiene da época favoreciam, não evitavam, o contágio. Até os médicos acabavam infectados pela doença, contaminando a população sadia.


Em 1619 (sim, essa peste durou perto de 300 anos), o médico pessoal do rei Luís XIII criou o vestuário para que os médicos pudessem trabalhar. Esse vestuário consistia em uma túnica longa preta, espessa como uma armadura, luvas até os cotovelos, sapatos fechados e uma chapéu muito largo. Como instrumento de trabalho, um cano longo para auscultar os pacientes. E, finalmente, o elemento mais característico, em uso havia algumas décadas: uma máscara branca com furos para os olhos, cobertos por vidro, e um longo bico curvo e vazio de 40 centímetros.

Doutores da peste

Dentro do bico eram colocadas flores secas e ervas aromáticas (cânfora, alho e canela) para se defender dos miasmas (vapor malcheiroso exalado por matéria em decomposição), que seriam os responsáveis pela contaminação. Além disso, eram usadas esponjas com vinagre para desinfetar o ar respirado. Mas a medicina medieval não conhecia nada de bactérias ou vírus, sendo mais uma mistura entre magia e esoterismo.

Foi só quando começaram os casos de Gripe Espanhola, em 1917, que profissionais da saúde e a população em geral foram obrigados a usar máscara como uma das formas de proteção. A Gripe Espanhola infectou um quarto da população mundial (cerca de 500 milhões de indivíduos) da época e matou, segundo avaliações, 5% das pessoas do nosso planeta.

Paris – foto de 1918 mostra mulheres da alta sociedade caminhando com máscaras.

1918 – Gripe Espanhola – Equipe Médica 1918 – Gripe Espanhola – Equipe Médica

Acredita-se que 35 mil pessoas tenham morrido no nosso país. Uma delas foi o presidente Rodrigues Alves, que faleceu antes de assumir a presidência pela segunda vez.


Estamos agora em plena pandemia do Covid 19, uma doença causada pelo coronavírus SARS-CoV-2 que apresenta um quadro clínico que varia de infecções assintomáticas a quadros respiratórios graves e voltamos a usar máscaras. Porém, diante da falta da máscara realmente eficaz (N95), o governo liberou o uso de máscaras caseiras feitas de tecido.


Ela é 100% segura? Não é. Mesmo assim, a recomendação de usar máscaras caseiras e seguir outros cuidados, como lavar sempre as mãos, evitando tocar boca, olhos e nariz, e manter cerca de 2 metros de distância de outras pessoas quando estiver na rua, é a mais adequada.


Antes mesmo da pandemia, o uso das máscaras é tido como algo natural em diversos países e muitas pessoas a utilizam como parte do look.


Na Ásia, muitos a utilizam como artigo fashion para o dia a dia. No Ocidente, o uso não era visto com bons olhos. O astro pop Michael Jackson foi uma das personalidades mais emblemáticas no uso das máscaras. Tabloides questionavam o exagero desse tipo de proteção utilizado pelo astro.


Essa mudança de olhar é algo que deve mudar para uma tendência mundial. Nessa onda, grifes de luxo apostam em máscaras multicoloridas e lucram com a pandemia.


A máscara de proteção, sempre “tímida” em versões brancas ou em tons bem claros, ganhou versões grifadas e agora “bomba” no street style. A doença estourou na Itália justamente no período das semanas de moda internacionais e os fashionistas “aproveitam” para usar as máscaras de luxo e circular pela Europa.

Gucci

Louis Vuitton

Máscaras personalizadas na Tailândia

Capa da Vogue Portugal

E você? O que acha de tudo isso? Parece loucura, não é? Mas vai passar!

Veronica Scavone – Consultoria de Moda e Imagem – maio/2020