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O que é o Machismo?

O Machista é aquela pessoa que acredita que homens e mulheres têm papéis distintos na nossa sociedade, geralmente julgam a mulher inferior ao homem, ou que não podem exercer os mesmos papéis.

Esse pensamento, passou a ser inerente a uma forma cultural enraizada em diversos aspectos, como a economia, política, religião, família, mídia, artes a educação secular passada de pais para filhos. 

 

Algo que se tornou normal,  que jamais poderia ser normalizado.

 

Grandes filósofos e respeitados durante uma parte da história da humanidade, sendo eles, Platão, filósofo grego nascido em 427 a.C e seu mestre Sócrates, precursores das ideias cristãs , já afirmava em seu tempo "um Estado que não educa e forma suas mulheres, é como um homem que treina apenas seu braço direito", ou seja, pelo tratamento da inferioridade e submissão dispensada ao sexo feminino, a organização de uma sociedade se torna incompleta e injusta.

 

Ou seja, dois homens com a mente a frente da sua época e que até a idade pós-moderna na qual nos encontramos suas ideias e pensamentos continuam anos a frente da nossa real atualidade . 

 

No entanto, mulheres de geração passada, não tiveram escolhas fáceis. Tiveram que descobrir, sem nenhuma experiência e com todas as circunstâncias não favoráveis, vencer medos, preconceitos, derrubar mitos, serem contrárias às pessoas afetivamente importantes e serem audaciosas .

 

Um marco histórico dessa audácia, foi quando 129 tecelãs da fábrica de tecidos Cotton, em Nova York, cruzaram os braços  e pediram jornadas de trabalho de 10 horas, porque estas, além de durarem 14 horas, eram condições de trabalho insalubres, enfrentavam assédio sexual, espancamentos  e ainda recebiam 60% a menos que os homens.

 

Nos dias atuais, uma certa liberdade que temos e esse empoderamento feminino tão falado e discutido na sociedade atual, que ainda assim não é o suficiente para calar comentários machistas do dia a dia vindo de todos os lados, devemos reverenciar e exaltar as mulheres que foram violentamente reprimidas pelas polícia no século passado, elas se refugiaram nas dependências da fábrica, fazendo com que os patrões e a polícia trancassem as portas e ateassem fogo no local onde elas se encontravam e não restou uma sobrevivente dessa desta tragédia fatídica.

 

A data deu origem a celebração do Dia Internacional da Mulher, homenageando essas primeiras mártires num universo machista, na data que o episódio correu, 8 de março de 1857.

 

O filósofo britânico John Stuart Mill (1806-1873), escreveu em seu célebre ensaio a sujeição das mulheres, que o recurso á força física por parte dos homens era, no fim do século XlX, o único resquício do tempo das cavernas que ainda resistia ao avanço da civilização. É trágico constatar que no começo do século XXl, a brutalidade atávica do forte contra o fraco continue ser tão prevalente na relação dos casais.

 

Uma realidade triste na qual ainda somos obrigadas a conviver. Diante de tantas lutas constantes que vem de séculos de repressão, a mulher nos dias atuais vem buscando com força seu espaço em nossa sociedade, lutando pelo direito de igualdade de gênero, persistindo no poder de participação social, sendo esse um dos princípios básicos do empoderamento feminino. Empoderar uma mulher é dar valor a sua luta e suas conquistas sociais, pessoais e profissionais, esse empoderamento é um dos mais fortes pilares para seu amor próprio.

 

Quando nós mulheres temos o reconhecimento devido das nossas conquistas, queremos ser reconhecidas e encorajando outras milhares de mulheres .

Por que ainda o empoderamento feminino incomoda não somente homens e também outras mulheres?

 

Essa é uma questão complexa que vai além do dia a dia, vem de um passado ou educação ainda opressora, muitas vezes a liberdade feminina de querer ir além e ganhar destaque, incomoda.

Esse incômodo vem mascarado da insegurança e desejos reprimidos em tentar fazer ou até mesmo ser igual, e não conseguir , frustra , essa frustração pode levar a ataques à essas mulheres já engajadas na luta da sua liberdade pessoal. 

 

Não devemos jamais exigir que outros aceitem nosso engajamento , pois nem todos estão preparados para quebrar seus medos e tabus internos, nem todos querem mexer com os fantasmas da alma, essa insegurança leva ao ciúmes fazendo acreditar que existe a ameaça de uma mulher poderosa roubar seu lar, destruir uma família que foi construída em valores opressores que reprime o eu interior, ou seja, sua autoestima fragilizada e insegura .

 

Podemos doar o que existe de melhor em nós, podemos doar nosso amor próprio e autoestima elevada, mas não são todos que ainda estão aptos a compreender essa doação, pois não sabemos o passado que o outro insiste em ficar, sem querer se redescobrir e sair da caixa.

 

Essa luta feminina já vem de séculos e séculos atrás e conseguimos muitos avanços, um momento poderemos realmente, de fato, termos uma sociedade justa que respeita e cuida, não julga e aceita.

Janilse Oliveira ( Fofa Jane), texto escrito em 17 de abril de 2020.