Rita Vieira da Rocha Barroso - você provavelmente não reconheceria Rita Sayonara, por este nome. Mas esta nordestina porreta, natural de Arraial, estado do Piauí, tem uma explicação bem inusitada para seu "novo nome", aliás, criatividade não a falta, pois seu Espaço de Beleza chamado "Rituall - Beleza e Bem-Estar" também tem uma origem surpreendente. Hoje, empresária em ascensão na cidade do Guarujá, litoral paulista, a Ritinha do Piauí, não teve nada de glamour em sua infância, mas com certeza, o que ela carrega nas veias, a fez ser quem ela é hoje: uma mulher forte, inteligente e determinada! 

Conheça a história de vida e empreendedorismo desta morena linda, que aos 43 anos, inspira multidões que a seguem além de suas redes sociais!

Entrevista exclusiva à Revista Top Loba

por Angel Mancio

Qual a maior dificuldade que você passou entre a infância e a vida adulta?

Minha maior dificuldade foi quando, aos 10 anos de idade, eu saí de casa e acabei me tornando moradora de rua. Não lembro ao certo durante quanto tempo vivi nas ruas, mas me lembro bem de muitas noites frias, fome, sede, medo... foi a pior dificuldade da minha vida. Até umas pessoas me acolherem e me adotarem como parente, pois no Estado do Piauí, esta prática é comum, mesmo sendo ilegal.

Na minha adolescência, eu continuava morando em casas de famílias, onde eu sofria abusos, tentativas de estupro, porém nenhum se concluiu, porque eu sempre tive uma boa auto-defesa, sou muito forte. Teve um episódio em que rolou até polícia, onde eu acabei machucando o agressor em uma luta corporal, que destruiu a casa, até os vizinhos chegarem para me socorrer e eu desmaiei. Quando acordei, a polícia estava lá... eu tinha 14 para 15 anos.

Qual foi sua maior perda? Fale sobre isso.

Na verdade tenho duas grandes perdas. Meu avô era meu porto-seguro... eu tinhas uns 9 anos quando ele faleceu. Eu entrei em desespero, perdi meu chão... porque eu era uma menina muito arteira e ele me protegia. A minha família era bem grande e muito rígida, e só meu avô me defendia. Ele tinha 150 netos! Meu pai tem 18 irmãos, todos com muitos filhos, mas ele teve menos filhos, tenho 10 irmãos, todos de pai e mãe.

Minha segunda maior perda, foi a morte da minha bailarina, Camila Uva. Ela era um anjo espiritual, minha melhor amiga... eu sofro até hoje. Falar dela é doloroso... meus olhos já enchem de lágrimas... sinto falta dela todos os dias. Consigo sentir a presença dela, ouvir sua voz... nossa famosa "Uva", linda de viver. Ela escorregou da moto na estrada Piaçaguera e foi atingida em cheio por um caminhão. O acidente foi numa segunda-feira e ela havia ficado noiva, no domingo anterior.

Você disse que ela era sua bailarina... você tinha um grupo de dança, é isso?

Sim, o Grupo Luall, formado em 1996, onde fui a fundadora. Este grupo deu início a um projeto de danças brasileiras para o Quiosque do Elias, em frente ao Casa Grande Hotel no Guarujá, conhecido hoje como Quiosque Vera Salles. Nós dançávamos para os turistas gringos e os ensaios aconteciam na praia, à luz da lua. Eu sou fascinada pelos mitos da lua, por isso achei que este nome seria perfeito. Começou com 5 pessoas e existe até hoje, porém não vivo mais dele... uso apenas nas minhas apresentações, onde conto minha história de vida. Mas no auge das apresentações, já participamos do Programa Raul Gil, Gilberto Barros, Eliana, Claudete Troiano... dominamos quermesses por anos, no Guarujá também!

E qual foi sua maior conquista na vida?

Minha maior conquista, também são duas rs. Primeiro, meu marido, pois conseguimos construir uma história maravilhosa, muito intensa desde o princípio. Eu saindo de um relacionamento e ele também... onde estávamos meio perdidos, ambos com decepções em relacionamentos anteriores, e nos encontramos. Hoje somos um porto seguro um para o outro.

 

Eu não posso ter filhos, porque nasci sem útero... não posso gerar um bebê, mas isso nunca foi um trauma para mim. Porém ele tinha o sonho de ser pai adotivo, e eu acabei entrando na dele... então minha segunda maior conquista é nosso filho Lorenzo, que hoje tem 6 anos e está conosco desde bebezinho. Fomos agraciados com o destino, e recebemos este anjo com um amor surreal. Por incrível que pareça, ele é nossa carinha, Deus escreveu tudo certo, ele tem muitas feições do pai e as minhas atitudes, é forte como a mãe! Ao mesmo tempo é sensível e carinhoso como o pai, educado prestativo... e gosta de ajudar o próximo, como nós! 

Se você pudesse escolher uma atividade para fazer por amor, e ainda ganhar muito dinheiro com isso, qual seria?

Ah essa o mundo inteiro já sabe, eu escolheria a dança! A dança eleva pensamentos além da nossa imaginação, ela purifica a nossa alma, nos agraciando com movimentos corporais, onde nosso corpo conversa com a música, através de gestos e expressões faciais, cabelo... é uma magia! É uma carga eletro-magnética, que quem está naquele momento em execução, no palco, se teletransporta para um universo de prazeres, onde ninguém precisa te tocar! Neste momento você eleva seus pensamentos a Deus... é uma purificação da alma! A dança é maravilhosa!

Cite um defeito seu, que você acha que atrapalha seu desenvolvimento pessoal.

Bom, o meu maior defeito, é ser muito humana e me decepcionar com a ingratidão das pessoas. As pessoas quando nos procuram, não sabem fazer nada, então você as ensina, você as lapida e na primeira oportunidade, elas te dão uma rasteira. Meu pior defeito é acreditar que as pessoas possam ter um coração puro e ingênuo como o meu, acreditando que todos nós estamos aqui para ajudar ao próximo, como eu faço. Eu acredito demais nas pessoas, não consigo julga-las por já terem feito algo errado; eu entendo que naquele momento, elas estão sendo únicas comigo e acabo me decepcionando com ingratidão. O ser humano é muito perturbado.

Agora cite uma qualidade que você acha que já te ajudou em muitas conquistas na sua vida.

Ah essa é fácil e todo mundo que me conhece, sabe. A qualidade que me ajudou muito a chegar ao sucesso, tanto na dança, como empreendedora, é a gentileza! A receptividade que eu tenho com as pessoas que estão próximas a mim, a coletividade...tudo o que você puder imaginar sobre ajudar, estender a mão... eu faço. Também tenho a capacidade de antecipar um problema e consigo resolver, antes mesmo que aconteça. Eu exergo longe, sou atenta aos detalhes, sou dinâmica e prática, eu sou ação, sou mão na massa... é a minha qualidade, é ser inteligente, eu sou inteligente! (risos)

Qual seu maior objetivo, daqui por diante?

Meu maior objetivo é poder dar qualificação a mais, à toda minha equipe, para que todo mundo siga o mesmo padrão, com meu controle de qualidade. Observar a concorrência, porque acho leal, para poder me qualificar mais e estar preparada para o mercado. Então meu maior objetivo agora, é me qualificar mais e estar entre os melhores. Não melhor em prêmio, mas em termos de conhecimento técnico, onde eu possa realmente, ter o meu diferencial... é o meu objetivo, ser diferenciada!

Você já é diferenciada pelos nomes rs... por falar nisso, conte  sobre seu nome Sayonara... e o nome Rituall do seu espaço de beleza, tem a ver com Luall, do seu grupo de dança?

(Risos) Então, o meu nome começou assim: eu sempre usei um rabo de cavalo muito alto e apertado, e as crianças da minha época, me zuavam, me chamando de Sayonara, porque os meus olhos ficavam iguais aos de uma japonesa. Quando eu vim para São Paulo, as pessoas do nordeste não conseguiam me achar pelas redes sociais com meu nome de batismo. Então voltei a usar o Sayonara para que meus amigos de infância, pudessem me localizar mais facilmente. Uso desde os meus 11 anos!

E o nome do salão tem sim a ver com o Luall... é a junção de "Ritinha do Luall": Rit-uall. Gostei porque todo procedimento de beleza, nós passamos por um ritual para podermos chegar no resultado final. Então, inteligentemente eu pensei em unir o útil ao agradável rs. E sobre "beleza e bem estar", é porque essa é sensação que nós buscamos na área de estética e beleza... o conforto e bem-estar, com a beleza que nós já temos e apenas procuramos realçar, depois de um ritual de horas... com escova, prancha... repetição de movimentos... isso se torna um ritual... acho que a explicação tem muita lógica. 

E por que você resolveu empreender com um salão de beleza?

Sou visagista e terapêutica capilar, formada pela faculdade de São Paulo, Anhembi Morumbi. Me tornei cabeleireira, porque sempre tive um dom natural para cortar cabelos. As pessoas sempre me pediram para cortar seus cabelos e na época de alisamentos, há anos atrás, eu comecei... e já era muito conhecida no Guarujá, pela dança, pelo grupo Luall, ativo há 23 anos... então foi fácil começar com credibilidade. E hoje, graças a Deus, sou muito consagrada na minha área, entre outros cabeleireiros, sou muito bem aceita, não tenho guerra com ninguém, pelo menos declarado, não que eu saiba (risos). E qualificar minha equipe é levar todo o conhecimento técnico que eu tenho da faculdade. Quero que todos possam ter curso superior, e não somente cursos técnicos.

Qual sua expectativa para o Baile de Máscaras?

Que seja um sucesso e que tenha muita gente bonita!

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Fale sobre a sua fé e deixe uma mensagem para os leitores.

A fé é algo extraordinário. O que eu deixo para todas as pessoas lerem, é que nós podemos tudo... nós podemos ter dinheiro, família, a melhor roupa, o melhor sapato, mas se nós não tivermos a fé, nós não conseguimos manter nada. Eu acredito que a maior riqueza do ser humano é a fé. A fé nos eleva em pensamentos à outras dimensões, onde nos encontramos com Deus, sentimos a paz, a purificação da alma... e Ele nos abençoa e escuta os nossos pedidos. Eu amo...a minha palavra de vida é fé, por tudo que eu já passei, os obstáculos que já enfrentei, as dificuldades... eu só sobrevivi e cheguei até aqui, porque tinha fé... eu sabia que aquilo era tudo aprendizado e que eu precisava ter muita fé, e foi assim que eu consegui ser uma pessoa melhor. Sou mãe, sou amiga, sou esposa, sou mulher, sou empreendedora, sou universitária... sou viva pela fé! Eu não faria nenhum tipo de tatuagem no meu corpo, mas se fosse escolher uma, seria a palavra fé.

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